Um relatório publicado pelo McKinsey Global Institute, “Solving the productivity puzzle”, assinado por Jaana Remes, James Manyika, Jacques Bughin, Jonathan Woetzel, Jan Mischke e Mekala Krishnan, em fevereiro, traz reflexões relevantes sobre a temática da produtividade. Ainda que o foco do relatório seja na recuperação da Grande Recessão dos últimos nove anos nos países desenvolvidos, há ponderações que merecem atenção.

O crescimento da produtividade é crucial para aumentar salários de forma sustentável, ajudando também a elevar o poder de compra dos consumidores. Portanto, a redução do crescimento da produtividade do trabalho cria preocupações quando os países em envelhecimento dependem de ganhos de produtividade para impulsionar suas economias.

No entanto, em uma era de digitalização, com tecnologias que vão desde mercados online até a aprendizagem de máquina, a desconexão entre o crescimento da produtividade e a rápida mudança tecnológica não poderia ser mais pronunciada. Do ponto de vista do crescimento da produtividade nos Estados Unidos e na Europa ocidental, houve uma queda média para 0,5% no período entre 2010 e 2014, em comparação com os 2,4% na década anterior.

O relatório encontrou três ondas que produziram uma produtividade fraca nos países analisados: 1) a diminuição do boom da produtividade da década de 1990; 2) os efeitos da crise financeira, incluindo uma demanda persistentemente fraca e incertezas; 3) a digitalização. A terceira onda, a digitalização, é diferente das outras duas porque ela contém oportunidades significativas de aumento da produtividade, porém os seus benefícios não se materializaram em escala.

Segundo consta no relatório, “nossas descobertas sugerem que o desbloqueio do potencial de produtividade das economias avançadas exige um foco nas promoções da demanda e da difusão digital, além de intervenções que ajudem a remover as restrições tradicionais do lado da oferta, como a burocracia”. A demanda, para além da recuperação de crises, merece atenção especial para impulsionar o crescimento da produtividade.

Enquanto o crescimento da produtividade nas economias avançadas tem diminuído há décadas, a sua queda acentuada após a crise financeira aumentou os alarmes nas democracias. O alto desemprego persistente para jovens, a redução das expectativas sociais para os trabalhadores e a precarização da vida em muitas cidades demandam respostas satisfatórias.

 

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