Entre os vários e importantes temas que deverão constar nos necessários debates deste ano, a falta de vigor e as fragilidades da retomada do crescimento brasileiro merecem a nossa atenção. Recentemente, no jornal “Folha de S.Paulo”, o experiente colunista Vinícius Torres Freire destacou alguns aspectos relevantes do processo econômico em curso entre nós.

Citando dados do IBGE, Freire aponta para diversas frentes de fragilidades. Os brasileiros, por exemplo, compram menos do que em 2011. Desconfiança e medo do desemprego voltaram a subir. O empobrecimento popular ocorrido desde a queda dos preços internacionais das commodities, em meados de 2014, não foi revertido efetivamente. Não convém olvidarmos que os problemas de corrupção tratados no âmbito da operação Lava Jato também afetaram a queda e o ritmo da retomada da economia.

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Segundo afirma o colunista, “a precarização extensa e ainda crescente do mundo do trabalho deve deprimir mais os ânimos. A parcela dos trabalhos precários, inseguros, mal pagos e de escasso futuro no total do emprego ainda aumenta” (14/03). Essa questão persistirá mesmo após a retomada do que foi perdido nos últimos anos. Freire argumenta que serão necessárias reformas, que deverão ser debatidas ao longo do ano.

Deve-se destacar que 95% dos brasileiros não concordam com os rumos do país, segundo as pesquisas da Ipsos mostraram no passado recente. Há ainda, segundo o Latinobarómetro, uma enorme desconfiança popular em relação aos governantes brasileiros. Quando questionados se os governos administram para o benefício próprio e de alguns poucos grupos poderosos, a média latino-americana das respostas é de 75%, enquanto no Brasil essa resposta atinge a espantosa marca de 97%.

O Brasil certamente terá que enfrentar um debate sério sobre produtividade e competitividade. Nesse sentido, deveria causar algum espanto a persistência de alguns analistas quanto à defesa ferrenha da “flexibilização” laboral e da drástica redução do sistema de seguridade social em um país de elevada concentração de rendas e patrimônios que pretende ser competitivo a partir de uma inserção global pautada por atividades econômicas detentoras de retornos decrescentes de escala. A literatura costuma apontar para o fato de que os países ricos se especializam em atividades com retornos crescentes, enquanto os países não desenvolvidos se especializam em atividades com retornos decrescentes.