Em uma de suas mais recentes colunas semanais, traduzida no jornal “Folha de S.Paulo”, no dia 20 de março, o comentarista chefe de economia no jornal “Financial Times”, Martin Wolf, traz reflexões oportunas sobre os assuntos econômicos (aqui). Para Wolf, o objetivo da ciência econômica “é fazer do mundo um lugar melhor. Isso se aplica particularmente à macroeconomia, inventada por John Maynard Keynes em resposta à Grande Depressão”.

Infelizmente, essa não parece ser a compreensão neoliberal após o crash de 2008, inclusive na sua vertente praticada no Brasil. Citando economistas renomados, Wolf aponta que “dos anos 70 para cá, a maioria das inovações da macroeconomia convencional se provou autorreferente e introspectiva, na melhor das hipóteses”. Ele cita ainda uma revisão abrangente publicada pela “Oxford Review of Economic Policy” sob o título “Reconstruindo a Teoria Macroeconômica”. Em síntese, a perspectiva canônica hegemônica se provou insuficiente.

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Os debates metodológicos sempre foram bem complicados, pois se mostra necessário consenso na definição do quadro de referência do problema, de suas premissas, variáveis independentes e, ainda, avaliar qual seria a extensão das externalidades. Para exemplificar, Wolf afirma sobre a hipótese do mercado eficiente e a teoria das expectativas racionais: “nenhuma das duas parece convincente hoje”.

A incerteza nos auxilia a explicar o papel das instituições – dinheiro, dívida, e bancos -, que são relevantes para o funcionamento dos mercados e das sociedades, mas que são ignoradas nos modelos padrões. Segundo Wolf, não basta argumentar que o modelo canônico funciona em tempos “normais”. Necessitamos também saber dos riscos de crises e como atuar efetivamente nesses momentos. Afinal, pondera Wolf, “uma macroeconomia que não inclua a possibilidade de crises ignora o essencial, como aconteceria com uma medicina que desconsiderasse a possibilidade de ataques cardíacos”.

Crises econômicas são endógenas, pois elas surgem de dentro dos sistemas econômicos quando há um otimismo excessivo e ocorrem elevados níveis de alavancagem financeira nos negócios. As fragilidades desse momento de euforia não demoram muito a se revelar. Em termos de remédios aplicados por diversos países, Wolf afirma que “a atual recuperação realmente não pode ser considerada um triunfo”. Ao final do seu artigo, ele levanta a questão de como se deve restaurar a saúde do organismo econômico o mais rápido possível.