A inclusão produtiva merece uma atenção maior da parte das políticas públicas. Nesse sentido, o momento é bem oportuno para o debate. Atendendo ao convite do Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies/Findes), encaminhei um breve artigo que foi publicado no “Boletim Econômico Capixaba”, edição de julho, sobre desenvolvimento inclusivo (aqui).

imagem beletim econômico capixaba

De acordo com o Centro de Comércio Internacional (ITC, em inglês), a produtividade nas pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras é da ordem de 30% da produtividade das grandes firmas, algo comum nos países em desenvolvimento. Na Alemanha, por sua vez, essa relação é de 70%. As PMEs empregam entre 60% e 70% dos trabalhadores no mundo, sendo que respondem por aproximadamente 95% das firmas, 50% do valor adicionado e são classificadas de formas distintas pelos países.

Grandes diferenças nas produtividades encontradas nos países em desenvolvimento acabam refletidas nos diferenciais de salários pagos aos trabalhadores das firmas de portes distintos e explicam boa parte do fenômeno conhecido na literatura como a “armadilha da renda média”. Tal conceito, que deriva do trabalho do economista Arthur Lewis (1915-1991), compreende o conjunto de dificuldades que um país apresenta para transitar de níveis baixos de desenvolvimento para o patamar de alto desenvolvimento.

Nossa arrancada desenvolvimentista, entre 1930 e 1980, se processou pelas vias da substituição de importações de bens, sendo que desde meados dos anos 1980 sofremos desindustrialização prematura e regressão da complexidade econômica exportadora. As PMEs dos países em desenvolvimento, cuja informalidade média é estimada em 77%, devem evitar o aprisionamento em atividades de baixo valor agregado.

Segundo trabalhos publicados por Dani Rodrik, professor da Universidade de Harvard, a produtividade do trabalho é bem maior nas manufaturas do que no restante da economia. O setor manufatureiro costuma ser onde as classes médias tomam forma, crescem e a evolução da indústria de transformação se mostrou central para o vigor de uma democracia. Melhorar o ambiente econômico para estimular a industrialização de PMEs brasileiras mostra-se algo bem interessante, pois estamos vivendo a perspectiva da quarta revolução industrial e o setor de serviços doméstico não foi capaz de acomodar, de forma sustentada, a nova classe média de renda brasileira sem gerar grandes pressões inflacionárias.