Em um artigo publicado no blog do Fundo Monetário Internacional (FMI), no dia cinco de setembro, Christine Lagarde traz reflexões oportunas sobre o décimo aniversário do colapso do banco Lehman Brothers (aqui). Destacarei apenas alguns aspectos interessantes do texto da diretora-geral do FMI e buscarei conectar os mesmos com questões brasileiras.

Sobre a grave crise financeira global que se espalhou então, Lagarde afirma que “suas repercussões – os pesados custos econômicos suportados pelas pessoas comuns, combinados com a indignação ao ver os bancos sendo resgatados e os banqueiros saírem impunes em um momento em que os salários reais continuavam estagnados – são um dos fatores chaves para explicar a reação contrária à globalização, especialmente nas economias avançadas, e a erosão da confiança no governo e em outras instituições”.

No total, aponta Lagarde, vinte e quatro países sofreram crises e, na maioria deles, a atividade econômica ainda não retomou a tendência anterior. A dívida pública teve um aumento relativo nos países avançados em mais de 30 pontos percentuais do PIB por conta do enfraquecimento das atividades econômicas, de esforços para estimular a economia e do resgate dos bancos em dificuldades.

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Atualmente, diz Lagarde, as autoridades estão enfrentando pressão por parte do setor financeiro para eliminar a regulamentação pós-crise. Para a diretora-geral do FMI, “o setor financeiro ainda coloca o lucro imediato à frente da prudência a longo prazo, privilegiando o curto prazo em detrimento da sustentabilidade”. O crescimento global foi retomado, mas ele não é compartilhado equitativamente em um contexto no qual as grandes desigualdades sociais se manifestam perigosamente em diversos países.

De acordo com o índice de commodities Bloomberg (aqui), não houve ainda uma efetiva recuperação dos preços de meados de 2014. Tendo em vista o longo processo brasileiro de desindustrialização, agravado na onda do boom das commodities, não causa espanto que tenhamos dificuldade em sustentar uma retomada vigorosa da economia. Com o desemprego na casa de dois dígitos, uma elevada informalidade e a alta subutilização da força de trabalho, o Brasil vive um delicado momento político. Nesse sentido, devemos todos buscar ajudar para que a razão vença o obscurantismo e argumentar para que não sejam reforçadas novas barganhas faustianas pelo retrocesso social. Boas escolhas políticas serão muito importantes neste ano.