Entre as grandes questões do momento, destaca-se o mal-estar na América Latina. A última edição do levantamento anual feito pelo Latinobarómetro, uma ONG com sede no Chile, revela um quadro bem preocupante (aqui). Como síntese, o documento disponível online aponta que a ausência de percepção social de progresso é uma boa medida de mal-estar generalizado na região.

Latinobarómetro 2 2018

Nesse complexo quadro, a percepção social de progresso no Brasil é de 6%, a mesma encontrada na Venezuela, abaixo da média regional de 20%. O problema detectado pelo Latinobarómetro é que a percepção de retrocesso na região é compartilhada por 28% da população. Nas respostas espontâneas sobre os problemas mais importantes do país, 35% dos latino-americanos apontaram os problemas econômicos, seguidos pela criminalidade e, logo depois, pela situação política e a corrupção.

Problemas de maior relevância são basicamente dois na América Latina: dificuldades econômicas e criminalidade, deixando a política e a corrupção em um segundo plano. Renda, estabilidade no trabalho, segurança social, violência, medo de ser vítima, tornaram-se questões centrais que afligem os cidadãos na região. Segundo o Latinobarómetro, “a boa situação econômica é escassa, vem caindo sistematicamente desde 2013, onde chegou a 25% para diminuir de forma constante e contínua para 12%, menos da metade em 2018”.

No Brasil, apenas 6% aprovam a situação econômica nacional. De acordo com o Latinobarómetro, “a economia da América Latina é brilhante para alguns, não para todos”. A situação econômica é considerada ruim por 83% dos venezuelanos e 62% dos brasileiros e argentinos. Para esses países, o mal-estar encontra-se bem destacado no documento. Esse mal-estar econômico é um importante determinante nas eleições.

As expectativas são positivas para 45% na região. O apoio popular à democracia é compartilhado por 48% das pessoas, algo que representou uma queda de 5 pontos percentuais em relação ao ano de 2017. No Brasil, esse apoio é compartilhado por 34% das pessoas, tendo o mesmo recuado 9 pontos percentuais em relação ao ano passado.

Um ponto merecedor de destaque no documento diz respeito à indiferença quanto à democracia, compartilhada por 28% na região e 41% no Brasil. A crise política regional aparece quando é mostrado o percentual de cidadãos que votam em pessoas, sem mencionar os partidos políticos, 58%. No Brasil, esse número é de 73%. Os números expostos nos revelam um quadro muito preocupante em uma região na qual 79% dos cidadãos consideram que os políticos governam para poucos grupos poderosos e para si próprios. Entre nós, brasileiros, esse número é de 90%.