A última divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad Contínua do IBGE, mostrou o quadro desalentador da “recuperação” econômica brasileira (aqui). O desalento (4,7 milhões) ficou estável para o trimestre fechado em outubro em relação ao trimestre de maio a julho de 2018, subindo 10,6% em relação ao mesmo trimestre de 2017 (4,3 milhões). Outros números merecem a nossa reflexão.

Conforme aponta o IBGE, “o número de empregados sem carteira assinada (11,6 milhões) subiu 4,8% na comparação com o trimestre anterior (mais 534 mil pessoas). Em relação ao mesmo trimestre de 2017, subiu 5,9%, um adicional de 649 mil pessoas”. A população subutilizada, ou seja, o percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial, é de 27,2 milhões.

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Uma pesquisa do instituto Ipsos, publicada em matéria assinada por André Shalders, na BBC News Brasil (26/11/2018), revela um quadro explicativo complementar à perplexidade brasileira (aqui). Segundo consta na respectiva matéria, “os brasileiros são os mais pessimistas dentre 24 países consultados pela pesquisa de opinião ‘Beyond Populism? Revisited’ (‘Além do populismo? Revisto’, em tradução livre)”. Para sete em cada dez cidadãos, o Brasil está “em declínio”, tendendo a se tornar um lugar pior no futuro.

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De acordo com a pesquisa, 71% dos brasileiros consideram que as regras do jogo econômico são injustas no país e favorecem quem já é rico e poderoso. Outro ponto que chama atenção na pesquisa diz respeito ao fato de que “67% dos entrevistados brasileiros disseram ‘não confiar’ ou ‘confiar pouco’ no sistema de Justiça do país, incluindo os tribunais. Globalmente, este número é de 56%”.  Os brasileiros estão entre os mais descrentes na mídia (67% não confiam), sendo que os partidos políticos são a instituição na qual há menor confiança entre os países pesquisados.

O diretor da Ipsos Danilo Cersosimo afirma, na matéria da BBC News Brasil, que “esse resultado também pode estar atrelado ao fato de que vários dos países pesquisados elegeram governos de direita, de extrema-direita ou autoritários”. Merece um destaque o fato de que “o resultado desta pesquisa nos mostra uma espécie de ‘pausa’ naquele movimento global que resultou na eleição de Donald Trump (nos EUA, em 2016) e no Brexit (a decisão dos britânicos de sair da União Europeia, também em 2016)”. No entanto, a própria Ipsos reconhece ser mais prudente esperar um ano ou dois para ver se essa tendência se manterá efetivamente.