Em 1952, o governador Jones dos Santos Neves, discursando em Colatina (ES), lançou a advertência de que os galhos dos cafezais eram frágeis para sustentar nossos sonhos de progresso. Grandes projetos de industrialização a partir dos anos 1970 foram relevantes para alavancar o segundo ciclo de desenvolvimento capixaba, ainda que a concentração de renda tenha seguido o padrão brasileiro.

O terceiro ciclo de desenvolvimento capixaba chegou nos anos 2000, a partir da diversificação dos serviços, porém ele coexistiu com uma base produtiva tomadora de preços. A queda dos preços globais das commodities, em meados de 2014, coincide com o início da recessão brasileira e expôs a fragilidade dessa estratégia de inserção externa. O Estado do Espírito Santo, que possui um grau de abertura comercial acima da média brasileira, empobreceu e as receitas dos seus municípios retrocederam ao patamar de 2010. Assim como no Brasil, a crise capixaba é estrutural, ainda que haja alguma recuperação cíclica em curso.

Grau de abertuda comercial ES e BR

Uma discussão interessante tem sido feita no âmbito da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), mais especificamente no Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies). Nesse sentido, merece destaque o Estudo Especial nº 01/2018 (aqui), sobre as exportações capixabas entre 1997 e 2017. O estudo é assinado por Vanessa de Lima Avanci e Nathan Marques Diirr.

De acordo com os autores do estudo, “no período analisado, a composição da pauta de exportações capixabas não passou por modificações muito significativas e se manteve concentrada, em termos de valor, em uma cesta de commodities”. Os analistas destacam que, a partir de 2010, a exploração de petróleo no Estado aumentou a sua participação nas exportações e acentuou a dependência da economia capixaba das flutuações de demanda e dos preços internacionais.

Termos de troca

Citando referências acadêmicas internacionais, os autores destacam que “as atividades produtivas de maior intensidade tecnológica têm um potencial mais elevado do que as atividades agrícolas ou ligadas a recursos naturais de gerar desdobramentos para a economia como um todo”. O processo de desindustrialização precoce não escapa aos olhares de Avanci e Diirr. Para eles, “a perda de participação de produtos manufaturados e de maior valor agregado na pauta de exportações pode fragilizar a economia frente aos choques externos”.

O aumento da complexidade econômica, conforme vem destacando o economista e professor Paulo Gala (FGV-EESP), é capaz de reduzir a desigualdade social e elevar a produtividade na economia (aqui). O avanço na sofisticação produtiva é o caminho para o desenvolvimento econômico e social.