Preocupações e incertezas emergem diante de um novo cenário global. Ganha destaque a metamorfose nas estruturas econômicas e sociais. O Brasil enfrenta desafios e opções políticas nesse complexo contexto. Nesse sentido, certamente um ajuste fiscal contracionista não estaria condizente com o perfil médio dos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cuja carga tributária média é de 34%. Destoa bem dessa média o Chile, com 20% do PIB.

Em ambientes sociais e políticos democráticos, que se ampliaram após a Segunda Guerra em muitos países, os cidadãos passaram a demandar serviços públicos de saúde, educação, previdência e assistência social por parte dos seus respectivos governos. Ironicamente, a queda do muro de Berlim e a implosão do campo soviético abriram uma grande contestação ideológica das políticas de bem-estar social. A ascensão chinesa e a desaceleração japonesa não podem ser desconsideradas.

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Não há como negar que o Brasil, com uma carga tributária regressiva ao redor de 32% do PIB, precisa passar por ajustamentos de diversas ordens. Entretanto, existe o risco nesse processo de jogarmos as crianças para fora da bacia junto com a água suja. Afinal, há organizações que funcionam bem em nosso país. Portanto, causa muita preocupação a intenção de cortar gastos em áreas e organizações portadoras de futuro. A rede federal de ensino, por exemplo, vem prestando importantes serviços de qualidade para a educação básica, técnica e superior.

Parte do Sistema S, por sua vez, também possui virtudes e relevantes serviços prestados. Há, por exemplo, o importante trabalho cotidiano e de reflexão prospectiva sobre desenvolvimento que vem sendo feito na Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santos (Findes). Destaco o projeto “Indústria 2035”, sobre os setores portadores de futuro para o Estado e que visa apontar regionalmente os setores emergentes, transversais e estruturais da economia capixaba.

As experiências internacionais apontam que ajustes fiscais bem-sucedidos tendem a combinar o aumento de receitas com a redução das despesas, em termos relativos e como percentual da renda da economia. Precisamos atingir níveis mais elevados de produtividade por meio da diversificação econômica, da modernização tecnológica e da inovação, inclusive por meio de um foco em setores de alto valor agregado e na inclusão social produtiva. Não podemos abrir mãos de recursos e organizações importantes para a construção do futuro.