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Comecei este domingo ensolarado com uma leitura nada instigante. A MIT Technology Review trouxe uma reportagem especial sobre as três etapas na estratégia de lidar com a mudança climática: mitigação, adaptação e sofrimento.

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Após inúmeras tentativas de reduzir as emissões de poluentes na atmosfera e prevenir um agravamento das mudanças climáticas, os negadores (climate change deniers) podem se declarar vitoriosos. Os resultados são pífios e já se fala nas duas etapas seguintes. Diz a reportagem:

Nós então nos movemos para a adaptação. O coração agrícola dos Estados Unidos é uma fonte crucial de alimentos básicos para um mundo em aquecimento, e a corrida está em busca de novas espécies de culturas mais resilientes à medida que a região se torna mais quente. Da mesma forma, variedades mais robustas de café podem proteger os agricultores da América Central de perder seus meios de subsistência. Os criadores de gado na África estão dependendo em imagens de satélite para identificar a vegetação cada vez mais escassa e os buracos para seus rebanhos. Californianos que perderam suas casas durante os incêndios do ano passado podem olhar para a Austrália como um estudo de caso sobre como planejar incêndios e construir casas que irão resistir a eles. No México, onde as algas marinhas causadas pelo aquecimento dos mares ameaçam sufocar o turismo, os pesquisadores estão trabalhando em maneiras de transformar as espécies invasoras em alimento ou combustível. O plano da cidade de Nova York para se proteger contra o aumento do nível do mar é uma amostra do que as cidades costeiras do mundo todo terão que enfrentar. E técnicas localizadas de geoengenharia podem manter os oceanos mais frios, o suficiente para preservar alguns dos mais valiosos recifes de coral da destruição.

Já que não dá pra correr, o jeito é se adaptar. Todavia, nem mesmo isso pode ser suficiente. Neste caso, é melhor começar a discutirmos os sofrimentos que aparecerão. Continua a reportagem:

Novos modelos preditivos, baseados em grandes quantidades de dados, fornecem uma ideia melhor de onde as pessoas serão deslocadas. Da mesma forma, a pesquisa intensiva em dados está reduzindo a ampla faixa de incerteza sobre o quanto a temperatura global aumentará. E outras modelagens estão tornando cada vez mais claro que os danos serão distribuídos de forma desigual: algumas regiões poderão desfrutar de benefícios de temperaturas mais altas. Enquanto isso, a iminente crise hídrica da Índia é um aviso gritante do que o resto do mundo deve esperar.

Se a história da medicina oferecer alguma base para a previsão do destino ambiental, remediar será a escolha, já que prevenir para não parece ser muito do feitio do homo sapiens sapiens. 

Seja bem-vinda, mudança climática! A casa é sua. Estamos aqui só de passagem!