Entre as interessantes discussões que estão ocorrendo no âmbito do Observatório do Desenvolvimento Capixaba (ODC), destaca-se a questão da complexidade econômica. Compreendida como uma medida de sofisticação da estrutura produtiva de um país, a complexidade econômica derivou de um projeto conjunto entre pesquisadores da Universidade de Harvard e do MIT, com destaque para os professores Ricardo Hausmann e César Hidalgo. No Brasil, destaca-se a contribuição do economista Paulo Gala (FGV/EESP), com quem temos um excelente diálogo.

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Estudos e pesquisas no âmbito do ODC apontam que a dependência da exportação de commodities é quase exclusivamente um fenômeno de países em desenvolvimento. Em síntese, quanto menos desenvolvido for um país, maior essa dependência. No Brasil, essa dependência encontra-se em uma faixa bastante perigosa, entre 60-80%, de acordo com os números da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, em inglês).

O problema detectado pela literatura internacional sobre a complexidade econômica é que há restrições estruturais nesse tipo de dependência para a redução das desigualdades sociais. A estrutura produtiva dos países importa para o desenvolvimento econômico e social. Essa literatura aponta para o fato de que o aumento da complexidade econômica de uma estrutura produtiva contribui para a redução da desigualdade social em um país.

No ranking da complexidade econômica elaborado pelo Observatório da Complexidade Econômica do MIT, o Brasil encontra-se na posição 37 de um total de 129 países. Há, portanto, um enorme hiato entre o peso econômico global do Brasil e a sofisticação da sua estrutura produtiva, sendo que esta mesma está restringindo as suas perspectivas de desenvolvimento. Não causa surpresa que a retomada econômica após a recessão seja bem decepcionante na ausência de um boom global de commodities.

Com desemprego, subutilização laboral e desalento em níveis alarmantes, o quadro é preocupante para as unidades federativas. O Estado do Espírito Santo possui um grau de abertura comercial superior à média da economia brasileira. No entanto, a sua estrutura produtiva possui uma complexidade econômica bem abaixo da média da Região Sudeste, da ordem de 104% inferior. Nesse sentido, uma política de desenvolvimento regional comprometida efetivamente com a redução das desigualdades sociais precisa passar pelo aumento da complexidade econômica da estrutura produtiva, ou seja, não será mais satisfatório fazer “mais do mesmo”.