A literatura internacional sobre o processo de desenvolvimento econômico e social é extensa e diversificada. No âmbito das discussões do Observatório do Desenvolvimento Capixaba (ODC), temos empreendido um rico debate sobre a estrutura produtiva e a sua relação com o processo de desenvolvimento. Para tanto, a relevante publicação “The Atlas of Economic Complexity” (2011), de Ricardo Hausmann (Harvard University), César Hidalgo (MIT) e outros tem sido útil.

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Bem antes do filósofo Adam Smith (1776), os rendimentos crescentes de escala combinados com a divisão social do trabalho já eram a receita exitosa para a prosperidade de uma sociedade. Antonio Serra (1613), por exemplo, sugeriu estimar a riqueza de uma cidade a partir da contagem do número de profissões existentes, pois ele reconhecia o processo de desenvolvimento econômico como um fenômeno sinérgico e que demandava um setor manufatureiro diversificado. Desde os primórdios da Revolução Industrial, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, o processo de desenvolvimento esteve atrelado à industrialização, que conduz à complexificação econômica.

Por ser difícil de transferir, o conhecimento tácito é elemento que restringe o processo de crescimento e desenvolvimento. Os países periféricos enfrentaram tal questão após a Segunda Guerra, quando muitos realizaram arrancadas desenvolvimentistas. Nos casos bem documentados de experiências na América Latina, as estruturas produtivas tradicionais, tomadoras de preços nos mercados e concentradoras de renda, dificultaram a superação da armadilha da renda média.

A sofisticação econômica está relacionada à multiplicidade de conhecimentos embutidos nas estruturas produtivas. A complexidade econômica, portanto, expressa a composição de produtos fabricados por um país e reflete estruturas emergentes que sustentam combinações variadas de conhecimentos. Estes só podem ser acumulados, transferidos e preservados se os mesmos estiverem embutidos nas redes de indivíduos e organizações que os coloquem em uso produtivo.

Economias complexas podem juntar vastas quantidades de conhecimentos relevantes através de redes sociais e organizacionais para buscar gerar grandes variedades de produtos intensivos em conhecimento. Economias mais simples, por outro lado, têm bases mais estreitas de conhecimentos produtivos e produzem produtos simples, que requerem redes de interações menores. Acreditamos ser essa uma oportuna reflexão para evitarmos circularidades do tipo “mais do mesmo”.