Ajustes e desigualdades

Em seu mais recente “Fiscal Monitor”, de outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou para as questões das desigualdades. Como síntese, consta que a crescente desigualdade e o lento crescimento econômico fazem com que muitos países devam concentrar atenção em políticas de apoio ao crescimento inclusivo. Embora alguma desigualdade seja inevitável em um sistema de mercado, uma desigualdade excessiva é capaz de erodir a coesão social, levando à polarização política e, finalmente, ao menor crescimento econômico.

Fiscal Monitor 1 (oct. 2017)

No Brasil, o tom dos ajustes regressivos adotados desde 2015 fez com que o país retrocedesse em muitos aspectos. Perspectivas de “flexibilizações” generalizadas de conquistas civilizatórias da humanidade, por sua vez, não são animadoras para os trabalhadores brasileiros. Muitos negócios, que dependem da trajetória de evolução do mercado doméstico, também já sentem esses efeitos regressivos.

Fiscal Monitor 2 (oct. 2017)

O noticiário é rico em exemplos de retrocessos ocorridos nos últimos tempos. Recentemente, a imprensa divulgou a pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que apontou a deterioração da qualidade das rodovias no Estado do Espírito Santo. Dos 1.745 quilômetros avaliados, 67,7% apresentam algum tipo de deficiência. A situação mostrou-se ainda mais complicada nas estradas estaduais, pois 81% dos trechos avaliados possuem irregularidades. Esse quadro geral de deterioração também ocorreu em outras unidades federativas. Continuar lendo

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